Analiticamente Incorrecto
2005/09/09
  O Embuste do crescimento no 2ºT
No mês de junho foram vendidos aproximadamente mais 150 Milhões de euros de veículos automóveis ligeiros e pesados do que no mesmo mês do ano anterior.
Se verificarmos a evolução das vendas de veículos em relação aos períodos homólogos, constatamos que durante todos os meses existiu quase a mesma quantidade de vendas até ao mês de Maio. Em junho as vendas aumentaram 30% , em julho e agosto diminuíram 1 e 11% respectivamente. Esta tendência vai-se manter, pelo menos segundos os indicadores dos primeiros dias de setembro. Ou seja o mercado automóvel de ligeiros e pesados vai ter uma estagnação ou mesmo uma recessão no seu volume total de vendas.
O motivo deste acréscimo extraordinário foi para evitar o aumento do IVA, e representou uma poupança total de 3 Milhões de euros (aproximadamente) para os compradores.
Senhor primeiro ministro e senhor ministro das finanças não queiram enganar mais os portugueses, do que o já fazem.
As "boas notícias numa conjuntura de baixo crescimento", não passa afinal de um adiantamento na compra de alguns bens para evitar o aumento do IVA. Até final do ano estas compras efectuadas em Junho, vão diminuir as previsíveis compras que seriam feitas até ao final deste período.
Para o nosso Primeiro e respectivo ministro das finanças perceberem (como se eles não o soubessem), imaginem que vão comprar 10 fardos de palha para dar de alimento aos vossos burros durante um mês. Quando chegam ao armazém são informados que no próximo mês os fardos vão aumentar 2%. Vossas excelências fazem as vossas contas e sabendo que a palha não se vai estragar, decidem comprar a palha necessária para o ano todo, ou seja 70 fardos, evitando com isso o futuro aumento. Claro que até final do ano, não vão comprar mais palha, mas se esta não tivesse aumentado, teriam todos os meses comprado os 10 fardinhos para os vossos asnos de estimação.
Seria diferente se por mero acaso o nosso país fosse bem gerido e os senhores tivessem comprado mais burrinhos, mas o que acontece é que os burrinhos são os mesmos e cada vez há menos carroças. O que me leva a crer que os senhores ainda vão vender os burrinhos para não comprar tantos fardos. È que a palha está cara que se farta.
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André Kosters/Lusa
Admito que quando ouvi, li e reli as vossas declarações, também fiquei com essa cara. Cara de burro a minha, já se vê.
 
Comentários:
Se suele decir que los hombres con la boca abierta tienen poca inteligencia y que son poco simpáticos. Al menos eso decía el eminente médico portugues Samuel Maia.
 
Mensaje para el Sr. Paulo Tomas : excepcional articulo de Manuel Molares do Val en "Cronicas Barbaras" del dia de la fecha sobre la Onu.
 
Quando Maria de Lurdes Pintasilgo foi primeira ministra de um governo da iniciativa da Ramalho Eanes, antes de sair do seu posto resolveu aumentar as pensões sociais de certas camadas de pensionistas. Foi um aumento considerável.

Sá Carneiro, na altura a preparar a AD, criticou fortemente esse aumento. A AD ganhou a seguir as eleições e foi para o governo, com Cavaco Silva em ministro das Finanças. Não tardou muito e fez novo aumento dessas pensões, o que fez com que num só ano essas pensões tivessem aumentado cerca de 45%. Começou aqui o descalabro despesista do Estado.

Mas, como o preço do petróleo entretanto tinha subido muito, de 12$/barril, para perto de 40$/barril, e como Sá Carneiro faleceu no acidente de Camarate, e era depois Pinto Balsemão o primeiro ministro, Cavaco Silva, prevendo mau tempo no canal para a economia mundial e portuguesa abandonou o barco da AD e recusou ser ministro do governo de Balsemão. Este ficou amuado e com o tempo se veria que nunca lhe perdoou este abandono do barco em pleno naufrágio.

A AD, esfrangalhada por lutas intestinas e pela crise económica que levou o país à beira da bancarrota, acaba por perder as eleições em 1983 e dá lugar a um governo de salvação nacional presidido por Mário Soares, com Mota Pinto em vice-primeio ministro. Foi o governo do bloco central.

Mário Soares teve de recorrer ao FMI para resolver a situação, com a ajuda do seu ministro das Finanças, Hernani Lopes. Em 1985 as contas públicas estavam recuperadas e o caso deu brado nos meios financeiros internacionais. Portugal passou a ser um exemplo de bom aluno do FMI.

Mas esta recuperação das finanças públicas custou popularidade a Mário Soares e ao PS, que na altura fez outra grande reforma, a do arrendamento, matéria tabú para os governos anteriores. E o PSD, com Cavaco Silva, sobe ao poder.

Iniciava-se na altura a recuperação da economia mundial depois do choque do petróleo de 1980/81, com a descida forte do preço do petróleo. Cavaco Silva, bem infomado sobre os ciclos económicos, viu que teria um período de vacas gordas para fazer figuraço, até porque Portugal se preparava para entrar na CEE e iria receber chorudos fundos comunitários.

Cavaco Silva passou então a governar com três Orçamentos, o geral do Estado, o dos fundos comunitários e o das privatizações da banca, seguros, etc.

Foi um fartar vilanagem, dinheiro a rodos para distribuir pela clientela, incluindo centenas de milhares de funcionários públicos. O despesismo estatal no seu melhor! Fez obras, sim senhor, incluindo o CCB, que era para custar 6 milhões de contos e custou 40 milhões, segundo se disse na época. O rigor cavaquista no seu melhor!

Anos depois vem a guerra do Golfo, com implicações económicas fortes a nível internacional, e Cavaco Silva, prevendo período de vacas magras e já com ele em andamento, resolveu abandonar o barco e parar de governar e entregou o testemunho ao seu ex-ministro Nogueira. Este perdeu as eleições para Guterres e em 1996 iniciava-se a recuperação da economia mundial. Foi um bom período para Guterres, que continuou o despesismo de Cavaco Silva, já que este último tinha deixado o campo minado por sistemas automáticos de aumento da despesa pública, o MONSTRO cavaquista de que viria a falar Miguel Cadilhe, além de milhares de contratados a recibos verdes no aparelho do Estado, que Guterres teve de integrar nos quadros do Estado para não ter de mandar para a rua gente que há anos não fazia outra coisa senão trabalhar para e dentro do aparelho de Estado.

Foi este o percurso do despesista Cavaco Silva, o que como ministro das finanças da AD aumentou num ano, pela segunda vez, milhares de pensionistas, e o que, como primeiro ministro, aumentou a despesa pública de tal ordem que os défices públicos da sua governação, se limpos das receitas extraordinárias, subiram tanto (chegou a 9% do PIB) que o actual défice das contas públicas é apenas mais um no oceano despesista inventado por Cavaco Silva nos longínquos tempos da AD e continuado nos tempos em que foi primeiro ministro, depois da recuperação heroica dos tempos de Mário Soares e Hernani Lopes, nos anos 1983-85.

É neste despesista disfarçado de rigor que devemos votar para PR? Desculpem, se quiserem propor Hernani Lopes para PR, podem contar com o meu voto. Mas como ele não aparece a candidatar-se a PR, vou votar em quem o ajudou a salvar Portugal da bancarrota provocada pela AD de Cavaco Silva. E esse alguém é Mário Soares.

Estes os factos. E eu voto em factos, não em mitos e miragens. Mário Soares tem um brilhante CV em controlo da despesa pública (governos de 1977/78 e 1983-85). Cavaco Silva tem um brilhante CV no descalabro das contas públicas.

Qualquer economista, se intelectualmente honesto e conhecer um pouco da nossa História recente, rejeita liminarmente este embuste chamado Cavaco Silva. Se ele for presidente da República, como pode ele pregar moralidade económico-financeira quando ele foi e é ainda o pai do MONSTRO? Monstro que agora Sócrates se esforça por abater com as reformas profundas que está a fazer.

Para os mais novos aqui fica a radiografia do embuste chamado Cavaco Silva.
 
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